A cerimônia do Adeus

8:00 PM

Inevitavelmente as coisas mudam. Às vezes, mudam tanto e em tão pouco tempo que me pergunto o que aconteceu com o que eu era há meses atrás. Acredito que estou em constante evolução e que todos nós vamos deixar muitas coisas para trás durante essa vida, não é uma escolha, mas uma necessidade. Em alguns casos, dizer adeus é essencial para o amadurecimento interno.

Mesmo com essa ideia bem definida de que tudo uma hora precisa ir e se desprender de nós, eu não posso deixar de observar que o adeus tem uma cerimônia própria e em quase todas as vezes, dolorosa. É sempre o mesmo ciclo, mesmo estado emocional, mesmo fim. Tudo o que sobra de um adeus são partes tentando sobreviver em meio ao caos recém criado.

O adeus tem lá suas fases. Primeiro, ele chega como algo incrivelmente singular e lindo. Obviamente, isso enche nossa vida de cor e tudo parece finalmente, depois de muito esforço estar indo para a direção certa. Aquela direção em que quase todo mundo quer encontrar em algum momento. A gente se acostuma com essa maré de sentimentos bons e sorte, até que de um dia para outro tudo se transforma.

Tudo o que antes era leve e bonito, vira agora pesado e desgastado. E é nessa hora que a gente se pergunta o que vai acontecer e o que foi feito de errado, mas te digo que nada foi feito errado, simplesmente é assim. Essa é a cerimônia do adeus, nos fazer crer que as coisas estão no lugar para depois, num piscar de olhos, bagunçar tudo.

Quando o adeus chega no estágio final, significa que está na hora da gente sentir a dor da perda. Aquela dor que é capaz de fazer a gente se sentir minúsculo diante de sonhos e vontades tão enormes e aparentemente inalcançáveis. Mas, por sorte, você não precisa se desesperar. É só o jeito que o adeus usa para se manifestar, é assim e sempre vai ser.

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